Comida remosa existe? Veja como a ciência entende a dieta inflamatória
byJornalismo Digital-
A ideia de comida remosa passa por muitas gerações e segue no vocabulário dos brasileiros. Em geral, o termo popular ressurge em momentos de fragilidade, quando se precisa ter mais cuidado com a saúde, como em pós cirurgias, durante processos de cicatrização ou em quadros inflamatórios.
Existe uma lista de alimentos que têm características específicas e devem ser evitados. Porém, apesar da força cultural da expressão, o termo “remoso” não aparece nos manuais de medicina nem nas diretrizes oficiais de nutrição. Mas será que existe algum fundamento por trás do conceito ou tudo não passa de um mito?
Comida remosa: um termo popular, não científico
A expressão “comida remosa” surgiu do senso comum, a partir da percepção de que alguns alimentos pareciam piorar inflamações ou atrasar a cicatrização em situações específicas.
Entretanto, a ciência não trabalha com essa classificação. Em vez de apontar um alimento específico como o problema, a ideia é que os profissionais analisem o conjunto da alimentação, as condições de saúde da pessoa e se a dieta favorece ou não processos inflamatórios no corpo.
“Não há base científica direta para o termo ‘remoso’. No entanto, a ciência reconhece que alguns alimentos podem aumentar processos inflamatórios ou dificultar a recuperação do organismo em determinadas situações. O dito popular não é totalmente infundado, mas o nome e a generalização não são corretos”, explica a nutricionista Taynara Abreu, do hospital Mantevida, em Brasília. Frutas, legumes e proteínas de qualidade costumam ser a base de dietas indicadas em fases de recuperação
Por que alguns alimentos ganharam má fama
Carne de porco, frituras, frutos do mar, ovos, chocolate e alimentos ultraprocessados costumam aparecer nas listas de comida “remosa”. Na verdade, a fama não vem do alimento em si, mas sim de características em comum, como o alto teor de gordura ruim, açúcar, sal ou aditivos industriais.
Além disso, alguns desses itens também podem causar alergias ou desconfortos em certas pessoas, o que ajudou a reforçar a ideia de que fariam mal em qualquer situação. Os profissionais de saúde julgam que o problema está menos no alimento em si e mais no padrão alimentar.
Mesmo que o termo “comida remosa” não seja usado da forma certa, a inflamação do corpo pode ter relação com o regime alimentar. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar, álcool e gorduras de baixa qualidade favorecem processos inflamatórios no organismo, o que pode dificultar a cicatrização e a recuperação.
“Em geral, a cicatrização depende do estado nutricional do paciente, e não de um alimento específico. Deficiências de proteínas, vitaminas e minerais são os principais fatores de risco. O termo ‘alimentos remosos’ não existe na medicina científica”, ensina o médico clínico geral Marcelo Bechara, de São Paulo.
O que faz mais sentido evitar em fases de recuperação
Em períodos de recuperação, como depois de cirurgias ou durante quadros inflamatórios, a orientação geral dos profissionais é diminuir o consumo de alimentos ultraprocessados, açúcar em excesso, gorduras trans e bebidas alcoólicas.
Por outro lado, uma alimentação baseada em proteínas de boa qualidade, frutas, verduras, legumes, gorduras mais saudáveis e boa ingestão de líquidos ajuda o corpo a se recuperar melhor.
Como a ciência prefere tratar a “comida remosa”
Atualmente, a ciência evita termos populares como “comida remosa” e trabalha com conceitos mais objetivos. Em vez disso, analisa se a alimentação favorece inflamações, a qualidade das gorduras consumidas, a quantidade de açúcar e o equilíbrio geral da dieta.
No fim, o que os estudos mostram é que não existe uma categoria específica de alimentos “proibidos”. O que faz diferença são as escolhas do dia a dia e como elas influenciam a resposta do organismo durante processos inflamatórios e de recuperação.