entenda os riscos da banalização da tadalafila





Recentemente, a marca de bebidas energéticas Baly Energy Drink anunciou o lançamento do energético “sabor tadala”, uma edição limitada para o Carnaval de 2026. Com o slogan O Baly que te leva pra cima, a empresa alega que objetivo é brincar com o duplo sentido da frase, especialmente em uma época marcada pela folia.



Apesar de não conter tadalafila em sua composição, o marketing humorístico em volta do produto levantou preocupações em relação à normalização e incentivo do uso indiscriminado do medicamento para a disfunção erétil. 


Em nota divulgada no final de janeiro, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) criticou a criação da bebida e as campanhas publicitárias por trás de sua divulgação. “Medicamento não é produto de entretenimento, não é acessório de festa e não deve ser tratado como brincadeira, nem mesmo no Carnaval”, diz a entidade.


Para o urologista Alex Meller, a banalização do uso da tadalafila passa o recado de que o medicamento pode ser utilizado a qualquer momento, sem orientação ou prescrição médica.


“Considero a divulgação recreativa da tadalafila bastante criticável, para não dizer antiética. Houve uma banalização do uso em baladas, encontros de amigos, redes sociais e até em músicas. Isso gera um ‘super uso’ do medicamento. O energético acaba sendo apenas mais um componente nessa história”, aponta o especialista do Hospital Vila Nova Star, em São Paulo.

Muitos recorrem ao uso recreativo crendo que irão melhorar o desempenho físico ou sexual – uma premissa falsa, de acordo com especialistas da área.


“Não há evidência científica de que a tadalafila aumente força, resistência ou libido. Esse uso indiscriminado pode aumentar atendimentos de emergência, mascarar doenças como hipertensão e diabetes e gerar dependência psicológica”, diz o urologista Ricardo Ferro, do Hospital Brasília.


Riscos de consumir tadalafila sem prescrição médica


A tadalafila é considerada um remédio eficaz e seguro quando indicado por médicos. Ao utilizar o estimulante sexual sem necessidade, o indivíduo está literalmente pulando etapas do tratamento, usando o medicamento na hora errada e aumentando o risco de dependência psicológica.


Além disso, a ingestão pode provocar queda significativa da pressão arterial, ocorrência de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), perda súbita de visão ou audição e priapismo (ereção prolongada e dolorosa). 


Homem chateado sentado na cama com mulher nas costas. Conceito de problemas sexuais. Metrópoles
Muitas vezes usado sem prescrição médica, a tadalafila é indicada para quem tem disfunção erétil

“Quando falamos de jovens que fazem uso desse remédio, é importante lembrar que, na maioria das vezes, eles não têm um problema orgânico real. O que existe é uma questão emocional ou psicológica. O risco é o jovem se tornar emocionalmente dependente da medicação”, alerta Meller, que também é professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Homens que utilizem medicamentos vasodilatadores e pacientes com doença cardiovascular instável, pressão arterial descontrolada, insuficiência renal ou hepática significativa não devem usar a tadalafila, pois correm o risco de interação medicamentosa perigosa. 


Para quem realmente é indicado o uso do medicamento


Normalmente, o estimulante só é indicado para homens adultos com com disfunção erétil comprovada ou em casos de hiperplasia prostática benigna (HPB), uma condição que provoca o aumento não canceroso da próstata. Na HPB, a tadalafila ajuda a relaxar a musculatura e facilitar o fluxo da urina.


Em outros casos, a indicação do medicamento deve passar por avaliação de um médico especialista. Sem recomendação, o uso do remédio é perigoso, até mesmo para jovens considerados saudáveis.


“Medicamento eficaz não é sinônimo de medicamento inofensivo. Em muitos casos, vemos pessoas disseminando opinião pessoal na internet sem base científica. Todo medicamento pode gerar efeitos colaterais de leves até fatais. Só use medicamentos com orientação médica”, ressalta Ferro.

O especialista ainda aponta que o uso sem indicação pode mascarar os primeiros sinais de problemas cardiovasculares ou metabólicos, que podem ser indicados pela disfunção erétil.






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