
Usar banheiro químico em festas e principalmente no Carnaval é quase inevitável. Mas, é seguro? É higiênico? Quais e quantas doenças é possível pegar nesses locais?
Especialistas afirmam que o risco existe — mas ele está principalmente nas mãos e na falta de higiene adequada, e não no ato de sentar no assento. De acordo com Natan Chehter, clínico geral em São Paulo, os banheiros químicos podem estar associados principalmente a infecções gastrointestinais. Entre os agentes infecciosos possíveis estão:
- Vírus como norovírus e rotavírus (causadores de gastroenterites).
- Bactérias como Escherichia coli, Salmonella, Shigella, Campylobacter e Clostridioides difficile.
- Protozoários como Giardia e Cryptosporidium.
- Vermes (helmintos), como Ascaris lumbricoides.
A principal via de transmissão é a fecal-oral — ou seja, quando microrganismos presentes em fezes contaminam superfícies e chegam à boca por meio das mãos.
“O risco maior está no contato com superfícies contaminadas e na higiene inadequada das mãos”, explica Chehter. Segundo ele, até é possível haver transmissão por partículas suspensas no ar, especialmente em ambientes mal ventilados, mas isso é menos comum. “O problema basicamente são as mãos”, resume.
Ou seja: a pessoa toca uma superfície contaminada, não higieniza corretamente e depois leva a mão à boca ao comer, beber ou até tocar o rosto. Segundo os especialistas, não é preciso medo excessivo — mas é necessário cuidado básico.
Como se proteger ao utilizar o banheiro químico?
- Levar álcool em gel;
- Higienizar as mãos antes e depois do uso;
- Usar papel ou protetor descartável no assento;
- Evitar tocar a região íntima com as mãos sujas;
- Não segurar a urina;
- Manter boa hidratação;
- Preferir roupas leves e íntimas de algodão.
O uso do banheiro químico deixa de ser seguro quando há sujeira visível, falta de limpeza regular, lixo acumulado e ausência de recursos mínimos de higiene. No fim, o risco existe — mas é controlável. Com medidas simples, é possível aproveitar a folia sem exageros e sem pânico.
É possível pegar infecção urinária ou ginecológica?
Segundo Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), praticamente nenhuma infecção ginecológica é causada diretamente pelo uso do banheiro químico.
“Você não pega candidíase ou vaginose bacteriana do vaso sanitário”, afirma. Ele explica que a candidíase é causada por um fungo que já faz parte da flora do corpo, e a vaginose bacteriana está relacionada a desequilíbrios na flora vaginal — e não ao contato com o assento.
O que pode acontecer é infecção urinária quando a mulher evita usar o banheiro por nojo e segura a urina por muito tempo, favorecendo a proliferação de bactérias na bexiga e inflamações na pele. Nesses casos, o perigo é o contato direto com assento muito sujo, especialmente se houver cortes, como os causados por depilação recente, ou lesões na região.
Pupo reforça que roupas muito apertadas, sintéticas e molhadas durante longos períodos — algo comum em festas e blocos — também podem alterar o pH da região íntima e favorecer infecções. O risco, portanto, está mais relacionado ao contexto da folia do que ao assento em si.
Dá para pegar HPV, herpes ou HIV no banheiro químico?
O risco é praticamente zero. De acordo com Nogueira, vírus e bactérias causadores de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, herpes, clamídia e gonorreia, não sobrevivem por muito tempo fora do corpo humano. Eles precisam de células vivas e condições específicas para permanecer ativos.
Além disso, a pele íntegra funciona como uma barreira natural contra microrganismos. Para haver risco, seria necessário contato direto de secreções muito recentes com mucosas — algo considerado bastante improvável.
O urologista Rafael Buta, da Clínica Veridium, reforça que ISTs são transmitidas por contato sexual. “Ninguém pega uma infecção sexualmente transmissível no banheiro público pelo simples contato com o sanitário”, afirma. Ele lembra que, no assento, não há contato direto com os órgãos genitais.
Crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa têm maior risco de complicações caso desenvolvam infecções gastrointestinais. Gestantes merecem atenção especial porque têm maior suscetibilidade a infecções urinárias. A orientação dos especialistas é não segurar a urina, manter boa hidratação e redobrar a higiene das mãos.
Mulheres menstruadas devem ter cuidado na troca de absorventes ou coletores, evitar respingos em superfícies e higienizar bem as mãos antes e depois da manipulação.
Doenças sexualmente transmissíveis
Os médicos reforçam que, principalmente durante o Carnaval, o risco de possíveis doenças não está apenas no banheiro, mas no comportamento. Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são doenças causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos transmitidos principalmente por relação sexual sem preservativo. Entre elas estão HIV, sífilis, gonorreia, clamídia e HPV.
O uso de camisinha é a principal forma de prevenção. Preservativos masculinos e femininos são distribuídos gratuitamente em unidades públicas de saúde no Brasil, especialmente em períodos de festas como o Carnaval. O banheiro químico não transmite IST. Mas relações sexuais desprotegidas, sim.
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